Ipojuca, origem Tupi
- Patrícia Fonseca
- 6 de abr. de 2024
- 2 min de leitura

Frans Post - Vila de Ipojuca,1667
Os livros dizem que a história de Ipojuca começou na era do Brasil colonial, mas a gente sabe que não é bem assim. Muito antes dos portugueses ocuparem o Brasil, os povos indígenas já habitavam Ipojuca. Foram eles, inclusive, que batizaram a cidade. Na língua nativa, o Tupi-guarani, Ipojuca significa “águas escuras”, numa referência à cor do rio que banha o município e que, certamente, motivou a escolha dos indígenas para se fixarem no local para beberem, se banharem, desenvolverem sua agricultura...
Os nativos ipojucanos eram os Caetés que viveram aqui até serem expulsos ou exterminados em sua grande maioria, infelizmente. Achados arqueológicos comprovam não só a existência como a grande diversidade de conhecimentos deixados por eles, mostrando ainda a ocorrência de outras comunidades indígenas na região.
Os portugueses chegaram e, os primeiros registros que fizeram sobre Ipojuca antecedem 1560 e a apontam uma das cidades mais antigas do Brasil. Foi assim: Duarte Coelho, donatário da Capitania de Pernambuco, doou lotes de terras de Ipojuca a várias famílias ligadas à nobreza portuguesa com o “direito” de explorar a área e quem nela morasse. O primeiro engenho, o Tabatinga, instalou-se próximo ao Rio de mesmo nome, que separa Ipojuca do Cabo de Santo Agostinho. Em um documento do ano de 1594, seu nome aparece pela primeira vez como “Pojuca da Freguesia de São Miguel”.
O mapa mais antigo do litoral ipojucano, feito em 1542, já tem o registro de Porto de Galinhas, chamando de Rio das Galinhas, na época utilizado como espaço de atracamento de navios. Dizem que o nome original era Porto Rico. Como o tráfico de negros escravizados trazidos da África já era considerado ilegal, eles eram transportados escondidos em navios sob grades onde haviam galinhas d’Angola. E, para anunciar a chegada dos escravizados, dizia-se que haviam chegado as galinhas.
No entanto, pesquisas mais recentes sugerem que o nome é derivado de uma etnia negra originária de uma região africana onde a população era chamada de “Galinhas”. Seja qual for a versão verdadeira, é mais uma demonstração da grande influência dos negros em Ipojuca, desde o plantio dos baobás, passando pela capoeira até a construção do imaginário popular.
Uma origem cercada da miscigenação que é a identidade do nosso Brasil. Bem-vindo(a) a Ipojuca!
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